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PESQUISA DUVIDOSA DÁ APOIO AO STF CONTRA A FICHA LIMPA

A Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas realizou uma pesquisa para medir o índice de confiança na Justiça e especialmente ao STF na questão atual da Ficha Limpa em 2110.  Segundo a coordenação “De acordo com a pesquisa, 52% dos entrevistados disseram concordar com a posição adotada pelo Supremo em março deste ano. Outros 11% afirmaram não concordar ou concordar pouco com a decisão, enquanto 37% não souberam responder.” (a reportagem é de Uirá Machado, da Folha Online). Revelam, ainda, “o fato de 89% dos entrevistados terem dito que acompanharam o julgamento do Supremo”. É inacreditável.

Posto isto passei a examinar a metodologia. Apesar de darem números quantitativos, disseram que a pesquisa é qualitativa. A pesquisa foi realizada ao longo do segundo trimestre de 2011 sobre audiência em março de 2010. Foram feitas 1.500 entrevistas em SP, MG, RJ, RGS, Bahia e Pernambuco.

Graças a Sociedade Brasileira de Pesquisa de Opinião têm mantido a tradição de indicar as cidades e a distribuição da amostra. Digo tradição porque o STE passou a exigir estes dados para se poder publicar prévias eleitorais. “A população do Rio Grande do Sul (com 67%) é a que manifestou maior concordância com a não aplicação da Lei da Ficha Limpa em 2010.” Logo o RGS onde, em pesquisa com milhões de processos, apresenta o maior índice de recursos ao Judiciário per capita, no Brasil.

Para concluir as curiosidades, somente agora em que o STF volta a examinar o assunto, os dados são revelados e foram concluídos em junho deste ano. E o RGS tem como governador um advogado, ex-ministro da Justiça e apoiador da Lei da Ficha Limpa.



Escrito por ricardo às 22h52
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CRITICA AO ARTIGO DA CARTA MAIOR DE MARIA INÊS NASSIF

A autora centra sua análise como se o processo de denúncias de corrupção tenha sido criado com a redemocratização do país. Como subtítulo ela fala em arte de derrubar governo.

A questão é anterior ao pós-ditadura. Jânio Quadros, com um partido nanico, foi eleito prometendo varrer a corrupção. O símbolo era uma vassoura. O golpe militar utilizou o mote "acabar com a corrupção" para poder se legitimar. O voto do analfabeto é anterior a Constituinte. Collor usou a mesma base popular, como "caçador de marajás". A Constituinte não mudou o sistema político e foi votada como parlamentarista. Cinco anos depois o plebiscito deu ganhou ao presidencialismo, mas refém da oligarquia partidária. Sarney emancipou os territórios criando mais 15 senadores onde nem havia eleição para deputado, aumentando o poder de barganha. O denuncismo Udenista diminuiu, pois era componente integrante das eleições. Diminuiu no período militar onde o Ademar de Barros foi eleito na base do “roubo, mas faço”. O Maluf se aproveitou do lema e a imprensa sob censura não podia criticar o governo. Basta lembrar que Lula teve que mudar o vice, improvisando o Mercadante por esta razão. O FHC idem, idem, teve de mudar de vice. O câncer é mais velho. É preciso conhecer o sistema eleitoral brasileiro. O voto obrigatório, a municipalização do voto tornou o título do eleitor um documento municipal e o horário gratuito são obras dos militares que continuaram em vigor até hoje. O PT nasceu prometendo ética. É preciso conhecer a história brasileira, antes de culpar a imprensa, numa atitude defensiva do governo Lula. A única coisa que mudou é a classe média liberal se tornou a base da oposição ao trabalhismo. A solução parcial foi posta pelo projeto popular da Fixa Limpa, liderada pelo memorável petista Francisco Whitaker e organizações da sociedade civil. Mas, resta tornar o voto livre de obrigação que o desvaloriza e permite vendas.



Escrito por ricardo às 21h14
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MARTA E O CENTRALISMO CAUDILHESCO NO PT

Na época das demandas universais por participação política direta, o PT aperfeiçoa sua força de centralização partidária. No início viveu uma febre de participacionismo, não de indivíduos, mas de tendências minoritárias e cidadania municipal. Havia liberdade relativa de tendência e ficava garantida uma representação proporcional nas instâncias mais altas. Paralelamente pregava-se a “orçamento participativo” dos cidadãos ao nível municipal. Bastou se eleger governadores e o presidente para se abandonar este ideal. Até mesmo as prévias eleitorais, comuns nos EUA, foram abandonadas.

Hoje a tendência não é do “centralismo democrático” ao estilo socialista, onde os comitês gestores decidem pelos militantes. Os comitês ficam à margem e predomina as escolhas do presidente Lula. Foi o que ocorreu com sucesso no caso da Dilma e fracassos no caso Mercadante em SP e em Belo Horizonte, para ficar nas principais capitais, lembrando que o fracasso no Rio foi anterior a 2008 (supressão do Vladimir Palmeira).

A tendência do caudilhismo (escolha pessoal da autoridade máxima) se estende de Lula para Dilma, com argumentos de conveniência federal, como acaba de ser o caso de Marta Suplicy. Isto é sinal de uma consolidação de tendência. Para 2014 isto pode se repetir com intervenções pesadas como ocorreu no Maranhão ou na imposição da herdeira da oligarquia Sarneyana. A própria direção nacional desaparece destas decisões e daqui a pouco nem saberemos quem preside o partido. Aliás, é possível que a maioria dos militantes nem saiba quem preside o PT de hoje, ou por que o eleito foi encostado. A memória se torna curta para os militantes e dirigentes são apagados das fotos.

A intervenção de Dilma no caso da cidade de São Paulo, mais que suprir as dificuldades conjunturais de Lula no exercício de sua presidência honorária do partido (patrono) marca um poder de negociação do poder central. Dilma se torna uma “patrona honoris causa”, sob demanda de Lula, mas subscreve uma nova página de caudilhismo.



Escrito por ricardo às 12h27
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TESOURO NACIONAL QUER MODERNIZAR NOSSO CAPITILISMO

               O capitalismo brasileiro estar querendo deixar de ser de terceiro mundo e subdesenvolvido. Esta análise se baseada na luta atual, no mundo financeiro, entre os 99% que não participam na ciranda financeira e os 1% que moldam as regras monetárias e lucram com isto. Agora, governo Dilma, há um esforço para ampliar o numero de aplicadores nas Bovespa, que são hoje uns 500 mil brasileiros. Este número corresponde a 0,25% da população e não o 1% dos EUA e Europa.

“Até agosto, o Tesouro registrava um total de R$ 6,5 bilhões aplicados em títulos da dívida pública federal por investidores pessoa física, montante que deve atingir a casa dos R$ 7,5 bilhões até o final deste ano, conforme as projeções do governo. Para fazer esse bolo crescer, o Tesouro Nacional vai reduzir o valor mínimo de aplicação dos atuais R$ 100 para R$ 30. E vai permitir que os investidores programem a compra de títulos, como uma aplicação mensal, inclusive com possibilidade de reaplicar automaticamente os juros recebidos.” Ver site da dívida pública brasileira.

Como se vê a concentração de renda no Brasil é quatro vezes maior que alhures. E por enquanto os nossos “meios ricos” preferem fazer compras em Miami ao invés de investir na bolsa.



Escrito por ricardo às 21h04
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GRUPO FRANCES CASSINO TERÁ CONTROLE DO PÃO DE AÇUCAR

Agora o grupo familiar francês chegou a 48% e pelo contrato está previsto o controle do grupo brasileiro em 2012. Para fugir disto o empresário brasileiro, Abílio Diniz, no governo Lula quase emplacou a compra dos supermercados Carrefour no Brasil. O BNDES iria financiar tudo.

Meu destaque nesta matéria foi o oba-obra pratrioteiro que achava que o Brasil ia comprar o Carrefour. E alguns achavam que era do mundo inteiro. Os patrioteiros, inclusive do PT, acham que a expansão capitalista brasileira é boa e a de fora é ruim. Em tempo a jogada do Abílio foi desmascarada e a dura realidade se impos. Nos pobres mortais não temos que ficar torcendo nestas brigas de multinacionais e seus monopólios sobre nossos desejos de consumo.



Escrito por ricardo às 19h22
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DILMA COM MAIS PODERES DE COMBATE A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA.

“O Plenário aprovou, nesta quarta-feira, a Medida Provisória 539/11, que institui a cobrança de IOF sobre operações de contratos derivativos vinculados à taxa de câmbio do dólar.  A matéria foi aprovada na forma de projeto de lei de conversão  do deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) e segue agora para o Senado. Os contratos de derivativos se baseiam na variação futura do preço de um determinado bem ou taxa sem implicar a sua entrega efetiva. O mercado agropecuário é o maior usuário de derivativos, justamente porque as variações de preços são imprevisíveis e, muitas vezes, bruscas. A intenção do governo é combater o que ele considera ação de especuladores que fazem contratos derivativos para ganhar com a valorização do real, ao apostar na queda do dólar no mercado futuro”. Agencia Câmara de Notícias - 05/10/2011 20h13min

A grande imprensa não gostou desta notícia e muito menos o setor agropecuário.

 "[O governo] vai ter todo o controle do mercado especulativo. Tendo o controle sobre isso, ele pode taxar ou não taxar", disse o deputado relator e ex-ministro da agricultura do governo Lula e outros desde Figueiredo. (Está foi a curta reportagem do Valor Econômico – UOL). É uma taxação de até 25% sobre os contratos derivativos que geram ganhos extras com as mudanças cambias. Explicando, além de ganhar na exportação de carne (por exemplo) no mercado futuro o exportador pode ganhar com a variação do dólar. Agora o governo pode controlar melhor tanto os que ganham nas vendas quanto nas compras, neste espaço de pura especulação.

A lei entra em vigor em dezembro e deverá provocar chiadeira.



Escrito por ricardo às 19h14
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ADENDO AO ARTIGO SOBRE O CÉREBRO DECIFRADO

Há um detalhe curioso no experimento concluido por Nicolelis. A simpática macaca, que tem até um nome feminino, o tempo todo está jogando video game. Ela ganha gotas de suco de laranja toda vez que acerta uma bolinha no vídeo. O alvo era móvel. É como um 'inocente' joguinho onde um menino dá um tirinho numa imagem de bandido, por exemplo, ou um coelhinho. A macaca é claro nunca sabe para que o cérebro dela está sendo usado. Ela está somente querendo a dose de 'coca cola' dela. 



Escrito por ricardo às 04h11
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O CÉREBRO DECIFRADO POR DAMÁSIO E NICOLELIS

“Dois neurocientistas compõem retratos do cérebro como um órgão ainda mais complexo e maleável do que se pensava: enquanto o brasileiro Miguel Nicolelis busca implantes cerebrais para tentar fazer paraplégicos andarem, o português António R. Damásio quer ir mais longe e descobrir os mistérios da consciência”. Marcelo Leite, o especialista da FSP publicou hoje na Ilustríssima, uma matéria sobre o título “Anatomia do Cérebro”.  

Esta notícia me traz muita satisfação. Acabei de ler o livro do Nicolelis e desde junho leio “O Livro da Consciência” de Damásio. Ainda me faltam entendimentos, mas o Marcelo indica que o Damásio “escreveu mais uma obra-prima: ‘E o Cérebro Criou o Homem’”, que ainda não li. Gosto do Damásio e me alinho com ele numa certa polêmica que se trava com o brasileiro Nicolelis, tão querido do PT como se diz.

Recentemente a equipe universitária liderada por Sidarta Ribeiro rompeu com Nicolelis. Reconheço que tomei partido de Sidarta e a reivindicação de liberdade de pesquisa de seus doutorandos e mestrandos. Acho perigosa esta linha de refundação da neurociência como uma perspectiva de resultados imediatos à moda norteamericana. Agora vou buscar o novo livro de Damásio.

Recorto uma síntese dos comentários do Marcelo Leite. “a consciência não é um epifenômeno inútil ou manifestação ilusória da complexidade cerebral. Quem assim pensa se esquece de que o aparente automatismo das disposições inconscientes é também ele produzido e canalizado pelo histórico de decisões, emoções e ações que constituem o eu autobiográfico. "Comportamentos morais são um conjunto de habilidades adquirido no curso de repetidas sessões de prática e ao longo de muito tempo, informado por princípios e razões conscientemente articulados e, no mais, inscrito como 'segunda natureza' no inconsciente cognitivo", ensina o autor (Damásio).
Estamos aqui, já se vê, muito além das máquinas e dos determinismos - de volta à intricada anatomia do ego. Embora Nicolelis também extraia da neurociência uma mensagem de libertação e transcendência, ele a terceiriza para a tecnologia: máquinas conectadas ao cérebro rebentarão os grilhões que ainda ancoram o humano no animal”.

Acho fantástico o experimento de Nicolelis onde uma macaca comanda um corpo virtual ou ‘avatar’ e move um robô a milhares de distância. Mas, temo que esta engenharia-neural sirva para a desgraça como os conhecimentos atômicos e a engenharia genética a cargo de multinacionais do lucro agropecuário sem freios éticos. A neurociência precisa nos permite modernizar o conceito de consciência e sua capacidade de disciplinar os comandos instintivos do homem. Esta “segunda natureza” no inconsciente cognitivo (as memórias não reveladas) depende da linguagem do homem e, sobretudo, da memória na forma de escrita e registros de textos. A capacidade de crítica e, portanto, “saber do que sei” (ou reconhecer a ética), se desenvolve plenamente nas universidades e nas memórias de papel impresso das bibliotecas. Nosso cérebro natural não arquivo textos. Isto significa o debate, o contraditório e a autocrítica. E esta atividade é social porque se realiza em grupo e na leitura do social.

Me senti na necessidade de repassar estes comentários aos meus leitores, considerando que venho me recorrendo à neurociência ou melhor, a alguns textos de neurocientistas.      



Escrito por ricardo às 20h07
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FAZENDO JUSTIÇA À COMISSÃO DA VERDADE

Mesmo antes do Senado decidir sobre a Comissão da Verdade já se acata a situação como o caminho normal. É o discurso do “foi feito o que era possível fazer”.  E o discurso mais conformista parece ter sido o de Nilmário Miranda, como presidente da Fundação Abramo do PT. Pelo menos esta é a leitura que decorre do blog do PT, veiculado pela Rede Brasil Atual e disponível no Facebook.

O comentarista fala em “sempre foi assim” e conclui: Para Nilmário, as emendas não alteram o resultado central. Quem decide é o Congresso, sempre é o Congresso. Todos nós queríamos muito mais. Mas pela primeira vez vai haver uma comissão com dedicação integral, remunerada”, afirma. O comentarista conclui que “tudo tem a sua hora”, falando do gradualismo defendido por Nilmário. E até afirma que ele teria dito “a ditadura civil-militar”.  Este tipo de interpretação defensiva deste congresso de deputados recebeu até críticas à esquerda de um jornalista da FSP.

“Lenta, gradual e restrita” foi o título de Fernando de Barros e Silva na FSP de ontem. Ele conclui o inverso: “A despeito das boas intenções de Dilma, essa comissão, limitada e tardia, exprime, paradoxalmente, o descaso do país - aí, sim, quase irrestrito - pelos direitos humanos e pelo Estado democrático de Direito”. Pode-se até ler um avanço do governo Dilma face ao último governo de Lula que defendia a supressão dos direitos humanos em Cuba e Irã.

Isto é, nos dois casos, uma leitura oficial ou institucional do processo político. Esquecem-se daquela primeira comissão de 1973 que levantou a bandeira da Anistia e se amparou na luta feminista ou das mulheres no Brasil por direitos humanos também para elas. Sem a luta pela Anistia não haveria a lei votada no dócil congresso da época, presidida por Sarney. O oligarca pode até querer os louros do resultado.  Do mesmo modo, a lei promulgada pelo General Figueiredo pode ser atribuída ao seu poder. Foi ele quem disse “agora é democracia, quem ficar contra eu prendo e arrebento”. Todos são personagens do processo político e devem deixar aos historiadores a tarefa de contar a história.

Esquece-se que o STF quis por uma pedra no assunto, respondendo ao equívoco legalista de remendar a lei da anistia. Na verdade esta comissão a ser criada é o resultado inconformista dos chamados “familiares dos mortos” que recorreram e ganharam na instância superior dos Direitos Humanos (proclamados pela ONU) que foi que a OEA. A pressão internacional ou atual pressa oficial numa solução tem data marcada tanto ao nível regional como internacional – ONU onde a Dilma teve que comparecer com corpo inteiro.

Nilmário fala num gradualista que só ocorreu pela derrota das ‘Diretas Já’ e pelo arranjo transitório liderado pelo conservador Tancredo Neves. E não nos esqueçamos do fatídico governo substituto do transitório que foi Sarney, o mesmo líder de Figueiredo e o mesmo que agora pode confirmar o arranjo PT-DEM de uma aprovação sem voto.
É inaceitável o seu “sempre foi assim”, a julgar pelo relato da Rede Brasil Atual.

Melhor seria dizer que os deputados só decidem sob muita pressão popular ou da sociedade civil organizada. É um absoluto reducionismo entender que a política é a expressão da vontade do congresso e uma supressão autoritária dos movimentos da sociedade. Não vamos recriar uma velha teoria das “brechas institucionais”, espaço permitido para as reivindicações e lutas. Lamentavelmente a supressão da palavra “justiça” deixa a comissão da verdade manca. Melhor seria reconhecer como em outras quinze comissões parlamentares de outros países que a verdade se expressa pela justiça. E sem justiça o estado de direito fica mutilado.  Não se pode contentar com uma satisfação ou explicação oficial a ser dado a estes persistentes familiares. O fato do chile levar quarenta anos para revelar verdades dos últimos dias de Allende, não o faz o melhor modelo de luta a se seguir. Melhor seria o exemplo da Argentina.



Escrito por ricardo às 02h06
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DILMA CONTRARIA MANTEGA NO CASO DA AJUDA À GRÉCIA

"Consideramos que é importantíssimo que a prioridade seja dada para a solução da crise soberana, que se constitua um processo de resgate ordenado, de qualquer forma, ordenado da Grécia", No entanto, Dilma ressaltou que o Brasil não está interessado em colocar suas reservas internacionais em um fundo de estabilização para socorrer a Grécia. Por Joshua Schneyer, Reuters Brasil.

“O Brasil só participará de um eventual socorro à Grécia depois que os países emergentes e as nações desenvolvidas chegarem a um consenso sobre que medidas serão adotadas para resolver a crise econômica na Europa, disse nesta quinta-feira (22) a presidente Dilma Rousseff.” (...) "Não podemos pregar receituário para o mundo, mas queremos participar”. Agência Brasil, conforme Folha.

Ficou claro que Dilma permitiu a iniciativa de discussão de Mantega junto ao BRIC quanto a eventual ajuda a Europa. Mas, Dilma corrigiu em detalhes esta intenção para o plano político. Noutros termos a presidente menciona uma solução global com a participação do G20. Ela foi para uma entrevista coletiva de imprensa demonstrando comandar a discussão brasileira sobre a crise europeia.

Discutindo a rápida valorização do dólar no Brasil, adiantou que o país está pronto para tomar medidas cambias. "Neste momento, que é um momento de volatilidade dos mercados, de nervosismo dos mercados, a nossa atitude é de calma, tranquilidade e de estabilizar todo o processo", acrescentou, conforme Joshua Schneyer da Reuters.

Ficou claro a desenvoltura da presidente sobre os assuntos econômicos e financeiros. Isto faz uma diferença fortíssima em comparação com as falas de Lula.



Escrito por ricardo às 22h12
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COMISSÃO DA VERDADE COMO O GOVERNO QUERIA

Agora o texto do projeto de lei volta ao Senado, onde deverá ser aprovado. Dilma tinha pressa em função de dar uma resposta à corte interamericana, ainda, sob os holofotes da ONU. Foi votado sob urgência urgentíssima, o que dispensa os votos de todos. Votaram os lideres do PT e do DEM.

Uma mudança é que a presidente Dilma deverá nomear toda a comissão, antes haveria indicações de deputados e senadores. Agora saem os políticos e procura-se cidadãos sob assepsia política, mas que entendam do assunto. Talvez advogados.

Esta leitura foi dada pela FSP. Onde se lê: ”Com os enxertos, o texto impede que Dilma nomeie dirigentes partidários, pessoas ocupantes de cargos de confiança do poder público ou "parciais" nas investigações. Ele também permite que qualquer pessoa dê informações quando quiser - não só quando convocada. No Senado, em que a relatoria deve ficar com o ex-guerrilheiro da ALN (Ação Libertadora Nacional) Aloysio Nunes (PSDB), as negociações estão adiantadas”. O abacaxi da escolha dos nomes fica totalmente dependendo do jogo de cintura de Dilma.

Novidade mesmo é a possibilidade de familiares e militantes da resistência bombardearem a comissão com casos e informações.

Na prática a comissão não terá como mudar muito do que já foi levantado oficialmente. Esta comissão será a terceira. A duas primeiras foram criadas no governo FHC. Uma foi a comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, com extenso arquivo gerado e a outra funciona até hoje no Ministério da Justiça e possibilitou as indenizações. Há um movimento para se criar comissões estaduais, como foi feita em Minas pela OAB. Isto permitirá participações nos estados e encaminhamentos de informações “qualificadas” via OAB. Para muita gente será a oportunidade de se “lavar a alma” com o planto público. Mas, certamente alguns processos jurídicos continuaram tentando avanços de reconhecimento dos algozes ou punição simbólica na forma de danos morais, como ocorrem no caso Merlino em São Paulo, contra o nefando Ustra.

Nesta forma de preparar o esquecimento sem fazer justiça, o Uruguai acabou abrindo um caminho de punição. Vai ser preciso jogar com as regras do jogo definidas, mas com sabedoria.

 



Escrito por ricardo às 04h31
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PORQUE COMPRAMOS TANTO DA CHINA?

“Apesar da desvalorização da moeda após um corte das taxas de juros no mês passado, o real atingiu seu valor mais alto em 12 anos frente ao dólar em julho e apresenta uma alta de 36% desde o início de 2009. Sua valorização ajudou a tornar muito mais baratos os bens importados de países cujas moedas estão estreitamente ligadas ao dólar, como a China”. Joe Leahy e Alan Beattie do Financial Times.

Em dois anos e meio o real se valorizou em 36%, foi a festa das importações de supérfluos e porcarias chinesas. Agora o real começa a cair, hoje o dólar chegou a 1,8  em reais, como efeito da nova política do BC e Dilma.

O que significou o real supervalorizado? Significou algo como um aumento na renda de cada, independente do aumento de salário. A maior parte do feijão que o povo consome foi comprada lá fora em dólar (importado). O Carrefour, o Wall Mart, o Pão de Açúcar (que tem 47% de suas ações em nome do Cassino (francês) compram com Euro, mas, sobretudo, dólar. E nesta relação a vantagem é comprar da China, que tem sua moeda equiparada ao dólar, e comprar dos EUA. Por isso compramos tanto destes dois países.

Com o real em valor baixo nossa tendência passa a ser importar menos e comprar mais de produtos brasileiros. O que é bom para nosso parque industrial.

O que tenho certeza é que o Lula sabia bem destas consequências do dólar valorizado. E certamente tirou proveito disto como se ele fosse o responsável pelo aumento do poder aquisitivo. Mas, este aumento de valor do real é irreal, ou melhor, não é fruto de nosso desenvolvimento, mas de uma politica ianque e chinesa. Lula abusou “do poder de compra” do nosso consumidor. Ele acreditou que estava mais poderoso graças ao Lula.

Dilma faz o inverso quando taxa com impostos altos a importação dos carrões. E vai ter que proteger mais, ainda, as nossas indústrias, tentando reestabelecer um equilíbrio perdido. A China já está reclamando. Resta saber se isto vai ser ensinado ao cidadão para ele se precaver com os importados?



Escrito por ricardo às 11h31
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MANTEGA DEVE OFERECER 10 BILHÕES DE AJUDA À EUROPA

“O Brasil poderia disponibilizar até 10 bilhões de dólares de seus próprios recursos para ajudar a Europa através de vários canais, incluindo o FMI ou a compra de títulos soberanos da dívida, acrescentou fonte”. Agência Reuters, Brian Winter. 10-09-11. Esta matéria foi considerada exclusiva (em letra maiúscula) pela Agência de Notícias.

Esta matéria jornalística confirma a intenção do ministro Mantega, mas confirma também que é um investimento simbólico. Como já disse Dilma em Copenhague em 2009 “isto não dá nem para fazer cosquinhas”. Aliás, é menor que o aumento de salários pretendido pelos Juízes brasileiros neste ano.

Mas, aqui no Brasil isto, realizado ou não, será matéria de fogosos discursos políticos. Lula já fez sugerindo no início deste ano que “o Brasil poderia dar uma ajuda a Portugal”. Na ocasião em que se comprometeu a investir dois bilhões no FMI, Lula fez a mesma coisa: espalhou que agora era o Brasil que ajudava o mundo. Era uma parcela infinitesimal que o Brasil daria ao capital do FMI, mas o povo não saber disto, somente do simbólico.



Escrito por ricardo às 06h09
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O PRESIDENTE DA PETROBRÁS NÃO EXPLICA TUDO

"No curto prazo não daremos grande lucratividade, mas no longo prazo com certeza daremos", afirma sobre o comportamento das ações Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás a Eleonora de Lucena, jornalista especial da FSP.

Entrevista interessante entre dois muito vivos e vividos. Eleonora na Ilustríssima deste domingo que passou comentou em páginas e páginas as biografias de Prestes e Gregório Bezerra. Gabrielli por sua vez é um quadro técnico que vem do velho PCB.

Como comentei aqui neste blog diversas vezes a Petrobrás, forçada por Lula e monitorada por Palocci, fez uma imensa captação no mercado financeiro e na Bovespa. Ocorre que a lei de afogadilho do pré-sal obrigou a pagar caríssimo ao Estado pelo direito de explorar poços profundos e tecnicamente ainda não resolvidos. No ano passado já perdeu 30% do valor das ações e neste ano, segundo Gabrielli perdeu 23,5%. Ele teve que engolir o golpe para salvar a contabilidade do governo. Agora, falando para o mercado, tem que insistir na estratégia de longo prazo. Na verdade, ainda vai depender de desenvolvimento tecnológico para extrair petróleo do pré-sal. O curto prazo do Lula e Palocci (deputado da legislação) é que jogou a Petrobrás para as calendas.

A explicação é tão verdadeira quanto as respostas às últimas perguntas da jornalista.

“Como é a sua relação com a presidente Dilma?
Uma relação de duas pessoas muito firmes e fortes. Nos conhecemos desde 2002, ela tem opiniões firmes, eu também tenho, nós nos gostamos muito, nos respeitamos muito, mas temos posições diferenciadas. Agora, ela como presidente da República, tenho que obedecê-la, não tenho que discutir com ela mais.

Os interesses da Petrobras nem sempre coincidem com os do governo?
Não é necessariamente isso. Temos divergências sobre tudo, várias coisas temos divergências.

Tipo?
Futebol, música, casamento, importância das coisas. Divergências de orientação geral, estratégica não há.”

                                            ------------------------------------

A explicação terá que se repetir muito para acalmar os acionistas tradicionais e novatos. Afinal  “a Petrobras tem ações distribuídas nas mãos de 577 mil investidores”.



Escrito por ricardo às 06h05
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OS BRICS E O INVESTIMENTO NA EUROPA

“A opção mais provável é que os Brics entrem em acordo para comprar uma quantidade mínima de títulos em euros, com grande esforço de comunicação.    O objetivo seria demonstrar um apoio simbólico, e até injetar otimismo no mercado europeu moribundo”. (...) O diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, esfriou o entusiasmo do ministro da Fazenda Mantega, indicando na terça-feira que "o objetivo principal de nossa política de investimento é a segurança". Mathilde Gérard, do Le Monde, sob o título Por que as dívidas dos países europeus interessam aos Brics”.

Esta história surgiu no Brasil com o Mantega e o fato dos países do Bric a se reunirem dia 22 em NY e à margem de um encontro no FMI. Eles podem até deliberarem sobre ajuda à Europa. Agora já se confirmou como um track e não uma bomba de novidade. Cada país tem sua especificidade, não há uma coordenação do grupo neste sentido.

A China já compra dívidas de Portugal, Espanha, Itália e Grécia. “A China quando compra dívida em euros, visa na verdade as taxas de câmbio", escreve o analista e financista Cullen Roche no blog Pragmatic Capitalism. (comenta a jornalista do Monde). Ela tem 2 trilhões de dólares resultantes de movimentos cambias. Ela compra dólares para evitar que seu valor suba e aplica a maior parte desta quantia nos Títulos dos EUA (não há o que fazer). Pode aplicar mais na Europa, mas quer ter o reconhecimento de “economia de mercado” pelos países europeus.

A Índia aplica sistematicamente 20% dos seus 320 bilhões de dólares na Europa, segue uma velha política com os ingleses. A Rússia com mais de 500 bilhões de dólares e venda sistemática de petróleo e gás para a Europa, tem pouco investimento nos EUA. Aliás, nem se pode falar em investimento, como no Brasil, o Banco Central compra dólares tentando controlar o câmbio e não tem como vender. Para não perder aplica nos jurinhos dos títulos do tesouro ianque. No caso do Brasil estes dólares, 350 bi, ficam na conta do Banco Central e não na conta de governo. É o BC quem decide comprar dólares e aplicar nos títulos com Obama. Aldo Mendes nosso diretor de política monetária do BC pode sim contrariar e desmentir os entusiasmos de Mantega. No tempo de Meirelles eles nem conversavam. É bom lembrar que são dólares e que isto dificulta aplicar na Europa do euro.

Estes dólares, às vezes, criam expectativas no governo brasileiro. Lula falava neles com boca cheia e parece que pensava usá-los para comprar os aviões da França. Era bravata e com o tempo se esfriou a conversa e o papo foi encerrado. No Carta Maior aparece vez por outra um analista falando em aplicar este dinheiro aqui no Brasil. Bobagem se aplicar no Brasil, ou seja vender no mercado amplamente favorável ao dólar, aí que ele vai lá em baixo e o real fica parecendo cada vez mais forte. A fortaleza do real é somente um efeito cambial dominando pelo dólar. Contra a vontade dos brasileiros. Estes dólares nem entram no Brasil e não ficam à disposição do orçamento nacional.

 

 

 



Escrito por ricardo às 19h44
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